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Transtorno de Ansiedade Social: algo além da timidez

Transtorno de Ansiedade Social: algo além da timidez

Durante a vida é muito comum sentirmos certo nível de ansiedade, preocupação e medo em situações de exposição pessoal. Algumas pessoas, no entanto, costumam se sentir extremamente ansiosas, principalmente quando estão diante de outras pessoas ou na expectativa de participarem de situações de caráter social.

 

Existem várias formas de nomear esse medo de estar com os outros, sendo os mais comuns timidez, ansiedade social ou até fobia social. Neste texto falaremos sobretudo dos casos em que os indivíduos têm sua vida muito comprometida pelo medo e insegurança acentuados em ocasiões em que estão na companhia de outras pessoas e de sentirem-se, ou de fato serem, avaliados por elas. 

A ansiedade e o incômodo em certo grau são normais quando ficamos expostos ao julgamento ou às críticas de outras pessoas. Aprendemos desde crianças, com nossos pais e com o entorno, a prestar atenção ao que os outros pensam de nós, o que de fato é importante para uma vida social satisfatória. Porém, algumas pessoas apresentam um elevado grau de ansiedade em situações que envolvem outras pessoas, além de excessiva preocupação com o julgamento alheio, chegando a ter altos níveis de comprometimento em sua qualidade de vida devido a esses temores.

Alguns sinais são importantes para caracterizar uma ansiedade social patológica e para diferenciá-la da timidez, um traço de personalidade. Alguns dos sinais que indicam desajuste são:

- A ansiedade acentuada ocorre quase que exclusivamente quando a pessoa está na presença de outros, em situações sociais, acadêmicas ou profissionais por exemplo;

- Há um sofrimento antecipado quando diante da expectativa de um encontro social;

- Após a interação com outros, o indivíduo fica se perguntando sobre como agiu, se correspondeu ou incomodou o outro, ou se foi bem aceito, e isso o deixa muito ansioso;

- Boa parte do tempo da pessoa é gasta com o preocupar-se com o que as pessoas pensam a respeito dela;

- Situações sociais como festas, encontros com amigos ou até mesmo simples conversas são frequentemente evitadas, o que leva a uma vida restrita e reclusa, com pouquíssimas atividades sociais. 

 

Os pontos listados acima claramente diferem da “timidez” normal, na qual a pessoa tem um certo nível de ansiedade em situações sociais, mas esta não a impede de interagir e de realizar todas suas atividades. Os padrões de comportamento descritos acima caracterizam um dos transtornos de ansiedade, classificado pela mais recente versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM 5) como Transtorno de Ansiedade Social (ou Fobia Social). 

Como já descrito quando falamos dos transtornos de ansiedade em geral, para que um quadro seja considerado patológico o medo deve ser desproporcional à situação social em questão. Medo, ansiedade e evitação tornam-se constantes e duradouros, geralmente por mais de seis meses, e o sofrimento causado pelo quadro é significativo, afetando várias áreas da vida do indivíduo além da vida social, como o desempenho profissional.  Segundo o DSM-5, caracterizam um quadro de transtorno de ansiedade social:

- Medo acentuado em situações sociais, tais como de encontrar pessoas não familiares, ser observado, comer ou beber diante de outros e situações em que se exige desempenho;

- Medo de agir de modo que alguém perceba sua grande ansiedade e pensamentos de que será ridicularizado por isso;

- Evitação constante de situações sociais ou presença, nessas situações, marcada por intenso medo e dificuldade de permanecer nelas.

 

Quando é a hora de procurar ajuda

Um quadro de ansiedade social com as características expostas acima necessita de tratamento com profissionais especializados, dado o prejuízo que traz à vida do portador. Tem-se verificado bons resultados com a combinação do tratamento psiquiátrico (por meio de medicação adequada, receitada por um especialista) e do tratamento psicoterápico, realizado por psicólogo competente. 

Um dos ganhos do tratamento medicamentoso é a diminuição da intensidade e da frequência de episódios agudos de ansiedade diante de situações sociais, o que dá suporte para o indivíduo ser capaz de se inserir em atividades sociais aos poucos e aderir de forma mais satisfatória ao tratamento psicológico. Por sua vez, o tratamento psicoterápico tem, dentre suas funções, ajudar o indivíduo a fortalecer sua autoestima, a criar uma visão mais realista e funcional a respeito de si mesmo e das situações sociais, e treinar direta ou indiretamente habilidades sociais específicas, entre as quais: pedir favores ou ajuda; iniciar, desenvolver e encerrar conversas; participar de entrevistas de emprego; iniciar relacionamentos amorosos etc. 

Por tudo o que foi dito, entende-se a importância de diagnosticar a ansiedade social quando ela supera a timidez e começa a limitar a vida do indivíduo. Quando for esse o caso, o tratamento com profissionais de saúde é recomendado para superação do problema e a retomada da qualidade de vida.

 

Texto escrito por:
• Dennys S. Oliveira - Psicólogo e Analista do Comportamento (CRP 06/120105)

 

 


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